segunda-feira, 30 de maio de 2011

A professora Amanda Gurgel foi feliz na mensagem e no momento

A professora Amanda Gurgel foi feliz na mensagem e no momento

 

Ontem, ao participar do Seminário “O papel da mídia no enfrentamento da Aids" como convidado da Sesap (Secretaria Estadual de Saúde), uma mulher me questionou sobre o fenômeno midiático da professora Amanda Gurgel.

Por que ela conseguiu repercutir sua mensagem na mídia nacional e ser vista em mais de 1,5 milhão de visitações no Youtube com um discurso que todo mundo já ouviu por aí - o das dificuldades no ensino público estadual ou brasileiro? Eu, você ou qualquer pessoa desta sala já ouviu o conteúdo da fala dela em situações diferentes por candidatos, autoridades de governos, sindicalistas e professores? Como se explica toda repercussão alcançada por ela, Diógenes? - indagou-me a mulher no seminário.

Olha, o questionamento da mulher do seminário é pertinente. O discurso da professora Amanda Gurgel sobre as mazelas no ensino público não é novidade. As dificuldades em sala de aula são uma dura realidade há décadas. E os descalabros continuam nos dias de hoje.

Mas por que Amanda Gurgel marcou a diferença se, como sindicalista e filiada a partido político (PSTU), já havia proferido discurso semelhante em algum momento de sua militância?

Eu acredito que houve uma conjunção de vários fatores.

Primeiro, a professora Amanda Gurgel demonstrou ter talento para oratória e apresentou um discurso articulado. Muito eficaz.

Segundo, ela usou bem um símbolo, na verdade, um número: 930. O valor do salário do professor em reais. E comparaou-o a indumentária dos parlamentares e autoridades que frequentam a Assembleia Legislativa, um dos melhores momentos do vídeo.

Outra coisa: a figura do anti-herói, da pessoa que não tem condições de ser redentora de coisa alguma sem estímulo e sem salário adequado, gerou identificação com milhares de professores, parentes e amigos de professores e trabalhadores em geral que ganham baixos salários. As pessoas comuns se identificaram bastante com a professora Amanda Gurgel.

Outro fator importante que resultou na repercussão midiática: o uso das redes sociais. Nós estamos vivendo uma nova revolução da informação. As pessoas não se satisfazem apenas em receber informações dos veículos de comunicação, de maneira passiva. Elas querem interagir, elas desejam participar, elas são parte da comunicação e passaram também a ser veículos. O vídeo no Youtube foi um rastilho de pólvora. O Twitter, o Facebook, o Orkut e outras redes sociais se encarregaram de propagar a mensagem da Amanda Gurgel, complementada pela repercussão na chamada grande imprensa.

Agora, um dos fatores fundamentais para o sucesso da professora, eu acredito, foi a oportunidade que ela teve de estar no local certo e na hora certa.

Amanda Gurgel proferiu seu discurso num momento de greve dos professores e de outras categorias diante da secretária estadual de educação, Betânia Ramalho, e de deputados na Assembleia Legislativa. A sessão estava sendo transmitida por uma emissora de TV pública, a TV Assembleia.

O momento e o local podem ter marcado a diferença desta vez.

O discurso extremamente feliz e articulado da professora deixou as autoridades constituídas de boca calada e de cara no chão. Quem assistiu o vídeo da professora Amanda Gurgel deve ter notado o incômodo de parlamentares, incluindo o líder da governadora, deputado Getúlio Rego, cruzando os braços de semblante fechado; políticos mexendo-se nas poltronas, balançando a cabeça, estupefatos com a força da mensagem que deixou qualquer um deles sem ter o que dizer, o que rebater, o que contestar.

Portanto, a professora Amanda Gurgel caiu como um raio no debate sobre a crise do ensino público do Rio Grande do Norte. E muita gente ficou em estado de choque.
http://www.nominuto.com

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